Conservar é, por vezes, bem melhor

 Conservar é, por vezes, bem melhor

O Holocausto foi o extermínio de judeus europeus, planeado pela Alemanha nazi. (humanidades.com)

O século XX não merece grande saudade: duas guerras multinacionais devastadoras, sobretudo, na Europa; a monstruosidade inominável do nazismo; a utopia comunista vertida num regime sanguinário; a libertação do colonialismo logo apanhada por elites locais piores do que os colonos; as democracias liberais a passarem a ser liberais sistemas extremados e sem democracia; a emergência de um islamismo terrorista; o desenvolvimento industrial a ameaçar-nos de morte ambiental…

Em Punta Cana, na República Dominicana. (Créditos fotográficos: Dustan Woodhouse – Unsplash)

E o século XXI a enegrecer ainda mais isto mesmo! Temos de ir mais atrás, ao século XIX, e desmistificar a ideia de progresso como sempre melhor para a Humanidade. Conservar é, por vezes, bem melhor. Conservar a Humanidade, conservar o humanismo, conservar a ética, conservar o bom senso, conservar valores, conservar comportamentos.

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Nota do Director:

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15/12/2025

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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