Crónica da China: 11.º dia
(© RUNA – Rute Norte)
Dia inteiro de estúdio
Hoje é domingo, 19 de abril de 2026. Pequeno-almoço às 6h15. Uma melga picou-me na mão, às seis da manhã, ainda estava deitada. Tenho spray pelo corpo todo, mas, pelos vistos, nesta zona do polegar não apliquei o repelente. Fiquei com esta zona da mão inchada.
Vêm aí umas visitas novamente, quarenta e tal pessoas, da Alemanha. E vai grande azáfama no parque. A Mia e o resto do pessoal do escritório estão a trabalhar hoje até às dez da noite.
Iniciei, hoje, a pintura a óleo. Estou a experimentar uma resina alquídica chinesa, que a Mia me arranjou e é extremamente agradável de pintar. Diz-se que seca em 24 horas.
Este estúdio é muito fresco. Está muito calor lá fora e eu ando com camisola de manga comprida dentro do estúdio. De vez em quando, de manhã, ponho o ar condicionado a 35° – e, hoje, fiz isso mesmo.

Os deliciosos bolos que a Tyanyi me ofereceu ontem, entre outras coisas, com doce de castanha no interior.

O meu empório vermelho. Só me apetece pintar tudo de vermelho. Talvez já seja altura de avançar, mas resisto, não quero sair desta experiência. Está a dar-me grande prazer insistir no vermelho, consolidar a pintura, torná-la densa e com nuances, camada após camada.
A verdade é que me apetecia deixar tudo reduzido ao essencial: telas e papéis completamente vermelhos, sem nada além disso. Já não é uma cor, é um estado de espírito. Apetece-me não colocar imagens, nem distrações, nem excessos, e deixar apenas uma pulsação: sangue, vida, desejo, energia, calor, intensidade, presença. Há coisas que não me parecem querer ser explicadas – apenas sentidas.

Chegou mais material para mim.


A Mia compra-me mais embalagens de leite, iogurtes e bolos, para o pequeno-almoço.



Ainda há mais material disponível no escritório da NY20+, que fica mesmo ao lado do meu estúdio. Podemos ir lá buscar quando quisermos.



Um visitante do parque, que espreitou no meu estúdio. Convidei-o a entrar.



Algumas fotos da comida estão desfocadas e esta é uma delas. Irrita-me profundamente quando isto acontece. Nem reparei que estava a focar no arroz, com certeza, ao longe; portanto, desfocou o que está mais perto. No pequeno ecrã da máquina fotográfica, no momento, eu não dou conta disto – só me apercebo quando chego a Lisboa e vejo as fotografias num monitor grande. E fico muito aborrecida.



Estas bolinhas brancas já apresentadas na crónica 6: chamam-se Tangyuan e são deliciosas. São bolinhas de arroz glutinoso servidas em água quente. O interior, se bem percebi, é uma pasta de sésamo preto, doce. As outras bolinhas à direita são ovos de codorniz.



O escritório da NY20+, ao lado do meu estúdio.
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25/06/2026