Das nomeações na EGEAC

 Das nomeações na EGEAC

(egeac.pt)

Em ditadura, um cargo fica ocupado o tempo em que se mantiver fidelidade ao chefe e este confiar no chefiado. Em democracia, a rotatividade é, ou deveria ser, normal. Porém, o alarido feio em torno de substituições operadas em organismos da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC, que passa a chamar-se Lisboa Cultura) – nomeadamente, Teatro do Bairro Alto e Museu do Aljube –, no final de mandatos, vem sendo feito como “saneamentos políticos”.

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É o resultado de lóbis que se consideram os eternos donos de tudo. Mas não só. É também o resultado da inexistência de visões verdadeiramente estratégicas para uma política cultural, em que esquerda e direita convergem em dois pontos: não a têm e “aceitam” que a cultura é pertença da esquerda (certos grupos de “influencers” pseudo-inteletuais), sendo que a primeira o assume como seu feudo e a outra como sua inimiga.

Enquanto assim for, quem sofre é a cultura e os criadores não sancionados por esses “influencers”, mais a casca de banana em que escorrega a comunicação social. Pessoalmente, sempre que ocupei um lugar de direcção, quando mudava a administração (gostasse ou não) punha de imediato o meu lugar à disposição. Não fui para os jornais fazer-me de vítima. Tenho respeito por mim, pelas organizações (que procurei servir e não para me servir delas) e pelo que são, deveriam ser, valores de cidadania democrática.

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Estou a pensar nas supostas denúncias – independentemente do meu posicionamento político-ideológico (partidário não tenho nenhum) “desalinhado” com o executivo da Câmara Municipal de Lisboa. A cultura tem ideologia, é legítimo e é-lhe inato, mas a política cultural não se deve reger por ela. Há quem não pense assim. Seja o decisor escrutinado ou seja o que se considera decisor definitivo. O alarido é mil vezes mais injustificado do que a normalidade da rotatividade. É o caso.

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23/03/2026

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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