Discurso centrado na guerra

 Discurso centrado na guerra

Mísseis atingem Kiev, capital da Ucrânia, em Janeiro de 2024. (© UNOCHA/Saviano Abreu – news.un.org)

O discurso está centrado na guerra e não na paz. Sobre as guerras existentes e a iminência de se alastrarem ou dadas como sem terem fim, não sobre a necessidade das frentes inimigas encontrarem bissectrizes. Enquanto as questões se resumirem ao que as desencadeou e a posições irredutíveis, não há paz.

(© Mstyslav Chernov/ UnFrame/Wikime – agenciabrasil.ebc.com.br)

E, às vezes, se não é, parece mesmo que não só os protagonistas delas não estão prontos nem interessados num acordo de paz, como os seus parceiros ajudam a instigá-las. E se isto é muito visível no conflito Rússia/Ucrânia, não deixa de o ser no de Israel/Hamas. As simplificações nisto tudo são inimigas do bom senso. E da paz.

(prevencaoemfogo.prevenseg-treinamentos.com.br)

Mas por tragédia igual há muitas outras guerras (em África) de que nem há notícias. Muitas vezes, dou-me conta de que me assaltam ideias “alucinantes” sobre a possibilidade de os grandes líderes mundiais estarem a salvo e desejarem (terem combinado!) um conflito gigante para extinguir o “excedentário” de Humanidade (e com a IA ainda maior). Ou não estou a alucinar e não sendo exactamente assim, tem alguma coisa disso? É coisa que quero afastar de mim para não terminar em delírios de teorias conspirativas paranóicas. Também para o meu espírito, quero paz. Mas é difícil, assim.

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22/09/2025

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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