Os dossiês Epstein

 Os dossiês Epstein

Epstein morreu numa cela de prisão em Nova Iorque, a 10 de Agosto de 2019, enquanto aguardava, sem direito a fiança, o seu julgamento por acusações de tráfico sexual. (bbc.com)

Jeffrey Epstein (pt.wikipedia.org)

Os dossiês Jeffrey Epstein vêm revelando que não é apenas (nem sequer principalmente) Donald Trump que está em xeque. Há uma “cracia”, que não sei como classificar, que incrimina gente aparentemente tão distinta de Trump quanto, realmente, é em muito igual. Ficaram a ressoar-me (já nem digo Bill Clinton, não é de espantar) Bill Gates ou Mike Jagger, por exemplo. Mas, em verdade, nada me espantaria que surgissem nomes da finança, do desporto, do poder político, do jornalismo, da literatura, que, para muitos, seriam inimagináveis.

À esquerda, à direita, ao cento, abaixo ou acima, dentro ou fora, galardoados com o Prémio Nobel, “defensores” de direitos humanos ou militares, cientistas… Ao dinheiro, poder e fama, juntos ou separados, abrem-se as portas da tentação diabólica de experimentar o inacessível aos outros e da amoralidade a cavalo na impunidade. Um pequenino pé em falso e depois já tudo pode acontecer!

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25/12/2025

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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