Cuernavaca: uma experiência de resgate de ânimo. Que cidade!
Quiosque do Jardim Juárez, em Cuernavaca, no México. (Créditos fotográficos: Thelmadatter – es.wikipedia.org)
A sísmica e vulcânica Morelos, no México, seria um lugar que eu jamais pensaria ir. Mas fui!


México. (en.wikipedia.org)
O vulcão Popocatépl a vaporizar, feito uma chaleira, e, também, havia traços dos destroços de um terramoto recente por toda parte. Nem pude entrar na Catedral (cuja construção se iniciou em 1529), danificada e fechada; tive de contentar-me em estar a ver o átrio, onde os indígenas eram evangelizados pelos conquistadores espanhóis. Desde lá, segui para o Palácio de Cortés, que contém e conta a história do lugar.
É importante frisar que o nome da cidade provém do idioma “nauatle”: “Cuauhnáhuac”, a significar “perto do bosque”, um significado que foi confundido pelos Espanhóis, que o transformaram em Cuernavaca, que bem mais pode sugerir um corno de vaca. Contudo, não foi de vacas que fez a sua economia, e sim do algodão e da cana-de-açúcar; contemporaneamente, há o turismo.


(facebook.com/MariachisLimaAtuendoMexicano)
Chegou-se, por fim, à praça. Insinuantes, eles foram chegando à minha frente. Eram três mariachis, contratados por um casal de amigos que eu andava a visitar na cidade, para serem um “recuerdo memorial inolvidable”. Vestidos de branco, a usarem “sombreros” bordados a dourado requintado e a apresentarem uma fita vermelha na cintura.
Avançaram as criaturas em solenidade, com sopros metálicos refulgentes, os seus instrumentos dourados pelo sol. Súbito: um deles solta a boca do clarinete e diz-me: “Tonatiuh, o deus do Sol, está a convidar-te a dançar.”
Muito bem! Ora! Ora! De sombras já basta o quotidiano, com todas as suas incertezas e impasses fatigantes. “En hora buena”, por que não aproveitar para dançar?

E foi assim, naquele estertor de alegria, que cedi aos dós, rés, mis, fás e muitos sóis; pus-me a dançar. Fi-lo até ao final, aquele momento em que o estertor se silenciou.

Contudo, logo em seguida, eu seria aclamado pelo povo. Alegria geral! O Sol prosseguia, a minha cabeça ainda dançava. Lá no alto, o deus do Sol aprovava a minha ebriedade; ao lado, a torre da Catedral de Nuestra Señora de la Asunción não requeria qualquer imediata volta à sobriedade; por baixo, o solo mexicano ardia de contentamento.

Como fez sentido a frase de Pico Iyer2: “Viajar não é deixar as nossas casas, mas deixar os nossos hábitos.”
Para quem habitualmente se encontra desestimulado, até por hábito, recomendo fortemente: visite Cuernavaca! Ide ao México!
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Notas da Redacção:
1 – O Palácio de Cortés teve a sua construção iniciada em 1526, com a principal ampliação concluída em 1535; e o sismo a que o autor parece aludir é o de 19 de Setembro de 2017, que afectou significativamente Cuernavaca e o próprio Palácio de Cortés.
2 – Pico Iyer é o nome de um famoso ensaísta e escritor de viagens britânico. Nascido em 1957, em Oxford, na Inglaterra, ele escreve sobre choques culturais, globalização e espiritualidade.
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20/08/2026