Conheci Natália Correia: era eu “um jovem sacerdote laico”!
Representação de “A Nave Adormecida”, de Fernando Dacosta. (teatroaberto.com)
Vou recordar como conheci pessoalmente Natália Correia, um fogo único que era poesia. Aconteceu quando encenei o texto “A Nave Adormecida”, do Fernando Dacosta, no Teatro Aberto (ainda o primitivo, não o actual), em 1988. A obra era uma evocação da nossa História mítica (e mística) em torno do sebastianismo, do Quinto Império e do Espírito-Santismo, em que Natália se reconhecia.
Na estreia (a 5 de Agosto de 1988), no final, o João Lourenço (o director da companhia) abeirou-se de mim e disse-me: “A Natália Correia quer conhecer-te. Posso chamá-la?” Não foi concordar, não! Senti-me honrado, claro! Mas ainda o João não acabara de mo dizer e ouvi gritos no corredor: “Onde está esse jovem sacerdote laico? Eu quero conhecê-lo!”
Aproximei-me, o João indicou-me e ela não me deu os tradicionais parabéns, abraçou-me e tonitruou: “O meu amigo sabe muito bem o que fez! Uma verdadeira missa laica. Gostei de o conhecer.” E saiu!

Passado não muito tempo, entrei no Botequim. Cumprimentou-me. Julgando que não saberia quem eu era, tartamudeei: “Já não se lembra de mim…” Interrompi a apresentação porque fui “repreendido”: “Sei muito bem quem é; é aquele jovem sacerdote do teatro.”
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22/12/2025