Costa Rica: “Pura vida!”
Empalme, San José, na Costa Rica. (Créditos fotográficos: César Badilla Miranda – Unsplash)

Creanga – Unsplash)
A Costa Rica em muito se aproxima do epíteto conferido a Carmen Miranda: pequena notável! Uma espécie de Portugal tropical em plena América Central e ainda a ter uma alegria brasileira. “Pura vida!”, essa é a expressão que eles utilizam para comunicarem positividade, satisfação, gratidão; para transferirem boas energias.
É um “tudo bem” que serve de saudação e que serve até para a despedida. Um posicionamento de agradecimento e de contentamento para com o outro e a vida. E há ainda as frutas, como aquelas que a pequena notável levava na cabeça: “Yes, eles têm bananas para dar e vender! Assim como existe o pêssego-da-palmeira, o “pejibaye”. Há ainda uma goiaba diferente, que não corresponde à “guava”, eles até têm dessas, mas essa dita goiaba encontra-se em vagens; há o “rambutan” que mais parece uma mamona vermelha e, em alguns locais, chamam-lhe “mamon chino”.

Eles têm ainda uma outra fruta, a “cas”, mas essa é ácida e casa bem com bebidas. Há ainda a fruta estrela, ou seja, a carambola. E há o tamarilho, também conhecido como tomate de árbol – isso mesmo, é um tomate arbóreo. A curuba parece uma banana, mas é um fruto da família do maracujá, com as sementes e o gosto próximos do do maracujá. E eles têm os mais doces abacaxis, melancias, melões, mangas, laranjas, abacates, por aí fora… “Chica, chica boom! Que bom!”, regozijamo-nos.


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A Costa Rica é rica em frutas e em muito mais: dispõe de uma notória classe média, algo raro na América Latina. E, em razão disso, é um tanto cara. Até o seu dinheiro é colorido e festivo: o colón celebra a vida a estampar animais. O país é um adepto da celebração da vida e não tem sequer exército, aposta em ser uma montra de paz, em ser o habitat da Natureza. Devido a isso, virou a “menina dos olhos” dos turistas norte-americanos, canadianos e europeus. Ao mostrar a Natureza, encareceu os seus preços. Não os culpo, cada um com o seu cada um; eles têm qualidade natural para oferecer.
O meu primeiro dia no país foi em San José, a capital. Não me excedi em aventuras. Eu seguiria para Cartago no dia seguinte, para poder conhecer a sua primeira capital, e não convinha ir cansado. Alguém perguntaria: “Why Cartago?” Escolha teólogo! Gosto de conhecer os santuários nacionais, observar a fé “in loco”. Como não gosto de excursões, preferi ir num autocarro comum. Afinal, a viagem dura, apenas, uma hora. Ao meu lado encontrava-se uma freira. Ofereci-lhe uma cocada, ela aceitou: “Muy amable!” E, com “mucho gusto”, entabulámos uma conversa. Pura vida! Surpreendi-a eu, ao estar a ir à cidade para conhecer o santuário, sem estar agregado a um grupo de turistas, que passam por lá uns parcos minutos e prosseguem para a admiração longa de um vulcão, o Irazú.

Perguntei-lhe a razão de a cidade se chamar Cartago. Ela era boa de memória da História e explicou-me: “O senhor sabe que existe uma Cartago na Tunísia ou, pelo menos, ruínas da cidade original, que teria ficado com este nome (“Kart Hadasht”) por significar Cidade Nova. Foi lá que os Cartagineses – que, na verdade, eram fenícios de Tiro, aliados aos berberes norte-africanos – teriam feito surgir uma expressiva civilização marítima, baseada no comércio, não em ocupações. Entretanto, o comércio foi interrompido pelos Romanos, faziam da conquista militar a sua principal prática.
Naturalmente, os Espanhóis fundaram esta Cartago, em 1563, inspirados por um suposto gosto pelo nome proveniente da Antiguidade. Não seria, exatamente, como quando fundaram Cartagena das Índias, na Colômbia, uma vez que, por lá, viram semelhanças entre a baía do lugar com aquela – a de Cartagena, na Espanha.

Explicou-me ainda que o nome Costa Rica surgiu da observação espanhola de que os nativos usavam joias de ouro e era comuns a prata e o jade em adereços. Assim, a costa descoberta era rica, promissora e “Rica” no nome prevaleceu. Cristóvão Colombo teria chamado a terra de Verágua, ao ver as suas águas, mas esse nome não colou. Recomendou que, na volta a São José, eu fosse visitar os museus que contêm muitos destes tesouros.
A cidade de Cartago estava próxima, parecia-me uma malha urbana desfigurada, posto que as atividades vulcânicas e os terramotos nunca a deixaram em paz. Tal como os Romanos fizeram com Cartago. Por fim, paz e bem! Pura vida! Despedi-me da freira e fui ao encontro do santuário, não por acaso, chamado Los Angeles. Tem, pela frente, anjos a encimarem as torres e, ao centro, um São Miguel. Ao que parece, preferiram ali estar e não em Los Angeles, na Califórnia, que foi fundada como sendo “el Pueblo de Nuestra Señora Reina de Los Angeles del río de Porciúncula”.

O interior de madeira impressiona, as pessoas percorrem o corredor ajoelhadas, só não podem fazê-lo durante as missas. O destaque é a Virgem de pedra que foi encontrada por uma jovem no século XVII. Aquele espaço religioso remete para a Ascensão de Maria ao Céu. Já a cidade tem, na terra, uma inclinação para o comércio de terços, de lotarias, de artesanato de gosto discutível, de lanchonetes, chamadas “soda”, que vendem refrigerantes e “wraps” feitos com tortilhas de milho, com arroz e feijão.

Há uma desordenada oferta de roupas baratas e de calçados empilhados, a recordarem Aparecida, no Brasil. Sinais de fé duvidosa, proveitosa para o lucro. Para o meu gáudio, encontrei, nas cercanias, um jardim a manter as ruínas do que teria sido uma igreja franciscana dedicada a São Tiago. Tentaram, algumas vezes, reerguê-la. Porém, as atividades geológicas findavam em desconstruí-la. Foi assim que um prefeito visionário decidiu que a fé bem poderia estar num jardim. E foi ali que revi Angelina, a freira: tinha ido lá para me encontrar e entregar-me na boa fé de encontrar-me, fora para me levar uma medalha com a efigie de Nossa Senhora dos Anjos e uma de São José. Concluiu a sua aproximação com um “Pura Vida!”, a levar augúrios de que São José me protegesse na capital. E um lembrete para que eu nunca me esquecesse da Senhora e dos anjos de Cartago. Ah, Angelina! Despedimo-nos com alegria: “Pura vida!”
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13/07/2026