Há pouco que quer dizer muito
(techbit.pt)
Num apontamento de jornal, fui recolher um pormenor que significa um pormaior. Por acaso, é uma breve nota no âmbito de um jogo de futebol. Mas podia ser de outra coisa qualquer. Por ela se vê bem o que é o pensamento geral. A coisa é, simplesmente, sobre a classificação positiva de Samu no jogo Celoricense-Futebol Clube do Porto, em que marcou três golos. Nada de mais justo.

Depois, sobre o jogador Denis Gul, que jogou antes de ser substituído por Samu, atribui-lhe uma classificação negativa por não ter marcado nenhum golo. Continua a parecer-me adequado. O resto vem posteriormente, quando considera agravante da classificação negativa deste último, o facto de, além de ter desperdiçado uma oportunidade de golo (e refere ser a única que teve), em comparação com o primeiro ficar ainda mais negativo! Valha-me Deus! Então o que é positivo torna mais negativo o que outro fez ou não fez suficientemente bem? Porquê? Porque estamos numa sociedade de competição desenfreada? Porque, assim, se estimula a inveja? Porque tudo o que de bom alguém faz implica o rebaixamento de outro? Mesmo estando os dois, no seu esforço individual, a tentar contribuir para um mesmo objectivo?

Que o mérito deva ser exaltado e que, por isso, “passarinhos e pardais não somos todos iguais” é assunto que tem a minha total concordância. Que o treinador decida, em conformidade, escolher Samu na vez de Denis Gul é natural e justo. O que é estúpido é o resto, o demérito de um ser agravado pelo êxito do outro! Ainda se fossem adversários… Mas são da mesma equipa! Ou já não há lugar a equipas (no futebol ou onde seja), mas só competidores encarniçados? Aposto que os dois, felizmente, não pensarão assim ao olharem-se, ainda como competindo para o mesmo lugar. Que raio de mentalidade!
.
27/10/2025