Maomé marxista!

 Maomé marxista!

(Créditos fotográficos: Mostafa Meraji – Unsplash)

Sou completamente favorável à proibição do uso da burca, como o sou relativamente à proibição da excisão do clitóris. Quero lá saber se são hábitos culturais ou crenças religiosas. Era só o que mais nos faltava que, em nome disso, ainda viéssemos a ter de aceitar a imolação de crianças aos deuses da fertilidade.

(Créditos fotográficos: Nghia Do Thanh – Unsplash)

Isto dito, o assunto de “actualidade” da proibição da burca em Portugal só não é um não-assunto porque encobre a verdadeira cara de quem o propôs. Trata-se de manipular sentimentos das tais “percepções” baseadas na mentira. É a burca do populismo, é a burca da estupidez, é a burca de olhos vendados e vendidos. Até ouvi uma atrasada mental “comentadeira” (ex-MRPP1) a dizer que “a esquerda, como perdeu o operariado, agora defende os Muçulmanos” (sic). Sérgio Sousa Pinto, por quem não morro propriamente de amores, respondeu-lhe muito bem: “Toda a gente sabe que Maomé foi um importante marxista.” E Friedrich Engels usava burca? Ela não sabia, mas sei eu: o Engels, o Mao Tsé-Tung e o Durão Barroso.

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Nota da Redacção:

1 – A sigla MRPP refere-se ao Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado, um partido político maoista fundado em 1970 que, em 1977, mudou a sua designação para Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP). 

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Nota do Director:

O jornal sinalAberto, embora assuma a responsabilidade de emitir opinião própria, de acordo com o respectivo Estatuto Editorial, ao pretender também assegurar a possibilidade de expressão e o confronto de diversas correntes de opinião, declina qualquer responsabilidade editorial pelo conteúdo dos seus artigos de autor.

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30/10/2025

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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