No último minuto de esperança

 No último minuto de esperança

(Créditos fotográficos: Mrugesh Shah – Unsplash)

Já não se trata de política, sequer de ideologia, menos ainda de convicções, sejam elas quais forem. Trata-se de uma “possessão diabólica” que aprisionou os líderes e sublíderes mundiais, como loucos senhores da guerra e da indiferença.

(Imagem gerada por IA – chatgpt.com)
“O Arcanjo Miguel Derrotando Satanás”, pintura de Guido Reni (1635).
(wikiart.org)

Escolhem a ideia de nação, de religião ou de poder megalómano e narcisista, mas a última coisa que para eles conta são as pessoas. O Mundo é governado por uma legião de demónios, que só se distinguem por usarem capas de cores diferentes por fora, com o forro igual em todos, de morte.

Nunca terá sido muito diferente ao longo da História, excepto que hoje os meios tecnológicos marciais ameaçam a própria espécie. Além disso, a espécie está grandemente contaminada pela velocidade de informação, que é, grande parte vezes, inventada ou pintada com a cor da capa exterior de cada qual que a propaga.

Talvez, porque é sempre imprevisível o futuro e porque alguma coisa haverá que separa o bem do mal, o milagre da salvação aconteça no último minuto de esperança, na última gota de compaixão. Perdidos neste pequenino ponto azul no Universo, como um simples átomo de hidrogénio no oceano, é possível (e provável, como creio ser) que obedeçamos a um propósito maior que nos transcende.

É a única causa maior em que ainda creio. No mais, cuido das pequeninas coisas que me permitam conservar-me humano. A espada do Arcanjo Miguel virá para destruir o mal e não matar? Quimera que seja, creio. Ou não conseguiria sequer viver.

.

07/05/2026

Siga-nos:
fb-share-icon

Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

Outros artigos

Share
Instagram